19 de mar de 2014

Guardian Angel - Quarto Capítulo - Dark Memories

Alice Garcia's POV

Eu poderia acordar e tudo aquilo ser um sonho, mas quando abri os olhos percebi que isso seria impossível. Eu estava em uma casa, não me importa aonde agora. Minha vida está completamente fodida mesmo. Me sentei e suspirei. Olhei o colar que estava no meu pescoço e uma lágrima escapou do meu olho, ele dizia "Hope", esperança em inglês. Meus pais me deram quando eles viajaram para Nova Iorque. Ainda lembro do que ela disse quando me deu: "Filha, isso aqui quer dizer esperança. Esperança é algo que devemos ter sempre, tudo pode dar certo, nada é impossível.".

Desculpa mãe, mas eu criei tantas esperanças que elas acabaram me tomando. Eu continuo ignorando essa dor dentro de mim, todos os dias. Eu sei que não é algo que eu possa mudar, mas também não sei se consigo aguentar mais um pouco. Desabei, e me permiti finalmente chorar.

Os soluços saíam da minha garganta assim como as lágrimas escorriam. Recordo milhares de vezes de quando eu tentava descontar a tristeza nas coisas, ou quando fazia da dor a raiva e queria me matar. Mas aqui estou eu, mais despedaçada do que quando tiveram que me explicar que meus pais estavam mortos e que nenhum filho da puta da minha família me queria.

Eu não me lembro de ninguém que um dia poderia ficar comigo, nem mesmo um parente distante, provavelmente eu apaguei da minha mente grande parte da minha infância. A única coisa que eu sei é que minha vida perdeu totalmente o sentido depois daquele dia.  O pior ainda é passar o dia em que eles morreram sem conseguir não pensar em tudo.

Gostaria de saber o porquê isso aconteceu comigo. Poderia ter acontecido com qualquer um, mas tinha de ser eu? Não ponho a culpa em Deus, até porque eu já desacreditei de todo tipo de crença que eu já tive um dia. Cansei de criar expectativas, de imaginar e de sonhar como seria a vida perfeita simplesmente porque é impossível mudar isso.

Ás vezes sinto como se esse buraco dentro de mim nunca vá se fechar, sempre irá haver um grande vazio na minha vida. Como se ninguém um dia pudesse costurar meu coração e me fazer sentir amor ou compaixão novamente. É como se eu nunca fosse sentir algo perto de amor novamente.

Eu já chorei até não ter mais lágrimas para chorar, já chorei até adormecer, já chorei de raiva, já chorei de felicidade, já tive tantos tipos de choros que mal posso contar. Mas o choro da saudade, o da dor, é com certeza o pior de todos. É aquele que dilacera seu coração, e muitas vezes não é possível recuperar.

— Porque está chorando? — ouvi Justin e virei ao mesmo tempo, ele não parecia preocupado de qualquer jeito.
— Nada. — eu não precisava falar o porque, certo? Eu devo morrer mesmo. Não que eu tema a morte, mais eu ainda tenho coisas para viver, eu acho.
— Tem algo aí sim, você não choraria por "nada". — ele chegou mais perto e sentou ao meu lado. 
— Você não tem que saber, até porque você não liga para mim. — eu desviei o olhar, tentando me controlar, mas as lágrimas não paravam de sair. Pus meus cotovelos nos meus joelhos e minhas mãos no meu queixo.
— Tem razão, eu não ligo mesmo. Eu não te conheço, não sei quem você é e muito menos sei como você é. Essa era uma tentativa de te conhecer melhor, porque parece que vamos passar um bom tempo juntos. Mas já que você insiste. — ele se encostou no sofá e colocou seus pés na mesa de centro, cruzando-as. 
— Para que você iria querer me conhecer uma pessoa que vive como eu, se é que posso chamar de vida. — suspirei.
— Vamos começar pelo básico, qual é sua cor favorita? — ele disse em tom divertido.
— Aí você já quer saber demais. — brinquei junto.
— A minha é vermelho. 
— Eu acho que a minha é preto. — ri sem humor, me encostando no sofá e olhando a casa distraidamente. — Você quer mesmo saber o porque minha vida é totalmente fodida?
— A minha também é, podemos compartilhar nossas frustrações. — ele me cutucou de leve e riu.
— Meus pais morreram quando eu tinha três anos. — ele ficou em silêncio, e eu continuei — Ninguém da minha família me quis, então eu fui para um orfanato no Brasil, e então me arranjaram uma casa nos Estados Unidos e eu venho mudando de vida e de família desde então.
— Minha família nem quer saber de mim, me expulsaram de casa quando descobriram qual era o meu trabalho. Deviam desconfiar, já que eu sempre tinha dinheiro para comprar minhas coisas e os assassinatos na cidade estavam aumentando. Também coincidiam com os dias que eu ficava fora de casa. 
— Somos dois frustrados com a vida. Eu não sei você, mas eu sou uma frustrada com fome. — falei e ele riu, levantando indo para a cozinha, eu o segui.


[...] 


Aparentemente eu tenho um novo quarto e eu não posso sair dele a não ser para comer ou fazer qualquer coisa que meu corpo necessite. Estava muito bom para ser verdade, a minha vida estava sendo boa de mais e isso nem me fez desconfiar. O que eu pensei? Que seria uma boa vida de agora em diante? Pois é, nem pensei na possibilidade de um cara gostoso pra caralho me sequestrar e me fazer ficar trancada dentro da porra de um quarto.

De uma certa forma, Justin me lembra ele. Encantador, engraçado e amoroso. Mas isso não durou por muito tempo. A dor que eu senti talvez tenha sido do mesmo tamanho do nosso amor. Meu coração foi feito para sofrer, aparentemente algumas pessoas surgem na minha vida para piorar isso ainda mais.

O sofrimento me persegue por onde eu vá, é só eu começar a sentir algum tipo de empolgação sobre algo e tcharam, minha vida fica uma bosta novamente. Meus pensamentos sobre a minha incrível vida foram interrompidos

Guardian Angel - Terceiro Capítulo - Party and Bullshit

Narrador

Eram 6 horas, Justin guardando suas coisas preciosas longe de quem queira roubar. Alice estava se arrumando, assim como Tracy (a vadia da escola) que passava mais uma camada de rímel. Já Peter, lia mais um capítulo de seu de seu livro favorito. Todos que foram convidados estavam animados para aquilo, menos o próprio anfitrião que se preocupava com seus próprios negócios. 

Mas em outro lado do mundo, uma mulher muito rica e praticamente uma dondoca, estava aos berros com seu advogado, exigindo pela milésima vez ver a garota que tinha a certeza ser sua sobrinha. Mal imaginava o que acontecera com ela, na verdade. Faria qualquer coisa, para ter uma herdeira, alguém para deixar tudo que tem, e passaria por cima de tudo e de todos, para fazer dela a mulher perfeita.

— Eu quero ela! AGORA! — ela gritava se escabelando na frente do seu advogado e de muitos outros membros de uma agência de procurados. 
— Minha senhora, temos que localizá-la primeiro, não sabemos onde ela está e muito menos como ela se parece hoje em dia. — disse o pobre homem tentando acalmar sua cliente e se controlando para não explodir como ela. 
— Mas eu tenho uma foto dela, vocês não são bons? Então achem ela logo, eu vou dar um mês, se não acharem, estão todos demitidos e irei achá-la por mim mesma! — a moça saiu soltando fogo pelas ventas, e bateu a porta atrás de si com tanta força que podiam jurar que o chão tremeu.

Já com Alice, tudo estava perfeito. Deu o último toque no seu cabelo agora ondulado, arrumou sua maquiagem preta e ajeitou sua roupa (clique). Ela estava incrível, e ela não é a única que vai achar isso.

Alice Garcia's POV

Coloquei meu celular no bolso e saí, dando tchau para Bob, que estava com Christina cozinhando algo. O vento gelado da noite atingiu meu rosto, fui caminhando mesmo, era perto. Logo já estava ouvindo as pessoas, a música e o som de que eu iria me divertir muito essa noite. Eu não conhecia ninguém além de Justin naquela festa, por isso, fui direto para a cozinha, procurar uma bebida.

Achei algo que parecia cerveja, engoli de uma vez só, sentindo o gosto forte do álcool queimar minha garganta de uma forma prazerosa. Fui caminhando e vendo faces conhecidas, muitos eram do colégio, outros já eram mal-encarados ou soltos demais. Tinha uma banda tocando, eu estava balançando ao som da música, quando avistei Justin. Ele estava longe demais para dar um oi, mas pude ver ele indo em direção aos fundos da casa. Eu pensei em segui-lo, mas o que ele estava fazendo lá provavelmente não era algo que eu queira ver. 


Continuei tomando aquilo que encontrei na cozinha, enquanto dançava junto de gente que eu nunca vi na minha vida. Tenho de aproveitar essa nova vida enquanto ela dure, não digo que estou feliz, mas há tempos não me divirto como estou me divertindo ultimamente. Quem diria que eu finalmente iria encontrar uma família que não implica comigo?

A música tocava, e todos a minha volta pareciam estar alucinados, e eu estava começando a me sentir um pouco tonta, olhava para os lados e via os rostos embaçarem. Cores e formas surgiam do nada, era como se estivessem sacudindo o mundo e eu estivesse dentro. Podia sentir o ar carregado a minha volta. Até que ouvi um barulho alto, ninguém parecia ter notado, apenas eu. Resolvi ir até onde Justin tinha ido, a cada passo meus batimentos aumentavam, eu tinha a pior sensação do mundo. 


E esta parece ser a pior noite da minha vida, porque o que eu vi a seguir fez meu coração parar, meus olhos se arregalarem e minha boca se abrir junto com o grito agudo que escapou da minha garganta, apenas o vi olhar para mim e saí correndo dali. Logo em seguida o som da sirene da polícia se aproximava e eu corri como se minha vida dependesse disso, e talvez dependesse. Eu cheguei a minha casa e tudo estava escuro, trêmula consegui abrir a porta e corri apressada para o meu quarto. Me tranquei lá e tentei esquecer o que eu vi.


Mas acho que vai ser impossível. Acabei sendo vencida pelo cansaço, e caí no sono com roupa e tudo.


[...]

Ressaca deve ser a pior coisa do mundo, sério. Que dor de cabeça do caralho. E eu ainda nem abri os olhos. Antes de abri-los tive um flash-back do que aconteceu na noite passada e o pânico tomou conta de mim, abri meus olhos e uma claridade quase me cegou, mas assim que fui me acostumando, pude perceber que não estava na minha cama, não estava no meu quarto e muito menos estava na minha casa. Eu estava em um carro e quem estava dirigindo era ninguém menos do que Justin.

— QUE CARALHOS EU ESTOU FAZENDO AQUI? — eu gritei mais alto do que achei que poderia. O que fez minha cabeça doer mais ainda.
— Não grita, porra! Tá maluca? — ele segurou o volante com força e travou o maxilar como se a culpada fosse eu. 
— Porque eu estou aqui, em um carro com você? Seu ... seu ... — ele me interrompeu.
— Seu o que? Pode dizer, diz o que eu sou Alice Garcia. — ele me lançou um olhar tão apavorante que sem ao menos querer me encolhi. — É sim, você não viu errado. Eu fugi, peguei você na sua casa e agora estamos saindo fora do estado. — levei um tempo para racionar o que estava acontecendo, e cheguei a conclusão de que eu estava completamente fodida.
— Você não fez isso. Ai meu Deus, eu estou fodida. — eu não estava ligando de por meus pensamentos para fora, depois do que eu vi, não tem jeito mesmo. 
— Garota, por que você não cala a boca e fica na sua? — ele falou e eu me perguntei onde estava o Justin fofo que pegou meus livros e me abraçou para me acalmar. 
— Só me responde o porque, então eu calo a boca. — eu disse olhando para ele firmemente.
— Não é óbvio? Você me viu estourar os miolos daquele babaca, você iria sair falando para o mundo inteiro que Justin Drew Bieber matou um retardado qualquer. — ele riu — Pergunta respondida, agora cale a boca, minha cabeça está doendo. 

Resolvi ficar quieta mesmo, porque não adiantaria nada gritar e espernear, se ele fosse me deixar sair quem saía perdendo era eu. Ser largada no meio do nada não é muito lucrativo. Eu deveria ter ouvido o que Peter disse sobre ele não ser um bom aluno. Como se eu ouvisse as pessoas. 


[...]

Eu estou neste carro há mais ou menos três horas. Ou talvez mais, a questão é que eu não consigo achar um jeito de ficar confortável, quanto mais eu me mexia, mais entediada eu fico. Resolvi falar com Justin, vai que tenha alguma chance de ele me levar de volta para casa e eu dar uma desculpa esfarrapada para Bob, dizendo que eu acabei dormindo na casa de Violet ou algo assim.

É acho que não.

— Justin, vamos demorar muito para chegar? Eu to com dor.  eu disse com uma voz manhosa, só pra ajudar.
— Dor aonde? 
— Na bunda, estamos sentados aqui faz o que? 5 horas?  eu bufei, cruzando os braços contra o peito, fazendo bico e cara de emburrada.
— Isso realmente foi muito fofo, mas eu não vou cair nessa.  soltei algo parecido com um murmúrio irritado.  Estamos chegando, falta só um pouco. A noite já vai chegar, não podemos ficar na estrada.

Eu virei para o lado da janela e fiquei olhando a paisagem passar, meus olhos começaram a pesar assim que o céu tomava sua nova cor alaranjada.



Justin Bieber's POV

O que eu fui arrumar para mim? Isso que dá ser simpático com as garotas, às vezes a máscara de bom moço não funciona. Eu terminei mais um trabalho, mas o que aconteceu foi que uma desmiolada resolveu me seguir e viu o que não devia. Para piorar ela é uma tagarela que não para de falar. Deve ter me perguntado umas três vezes se já estávamos chegando, ou se eu ia levar ela de volta algum dia. E finalmente ela dormiu.
Estacionei o carro em frente à minha rota de fuga, já estava bem escuro, então era seguro parar por aqui, estava prestes à chamá-la, quando a vi sussurrando alguma coisa como "eu sinto sua falta" durante o seu sono. Eu não poderia acordar, suspirei e saí do carro indo até o outro lado e a carregando para dentro. Coloquei ela no sofá e fui na cozinha fazer alguma coisa que preste para comer.


[...]

Digitei a senha e logo a porta se abriu, revelando meu belo arsenal de armas. Peguei a minha bela Smith & Wesson 38 e coloquei na cintura, fechando de novo o quarto. Voltei e lá estava ela, sentada e olhando para o nada. Essa menina me assusta às vezes. Cheguei mais perto, mas ela não pareceu notar minha presença. Um soluço baixo foi ouvido e pude perceber claramente o que estava acontecendo. Ela estava chorando.

16 de nov de 2013

Guardian Angel - Segundo Capítulo - Troublemaker

Alice Garcia's POV

Nestes milésimos de segundo que se passaram, eu só conseguia pensar em dizer sim, mas eu acabara de conhecê-lo. Eu deveria me arriscar e ir fundo, ou ser uma garota responsável que dá ouvidos aos bons costumes?
— É uma proposta tentadora, digamos. — a minha vida aqui está tão boa, que prefiro não arriscar.
— Ah, vamos Garcia, eu sei que você quer. — ele falou com uma voz tão sexy!
— Não sei não, hein.
— Te espero na minha casa às 8h.  Até lá, Garcia.
Eu quase tive um ataque quando ele me chamou de Garcia, porque ele tem que ser tão sexy falando meu sobrenome. Melhor eu me acalmar, eu não posso dar para o cara só porque ele é muito sensual. Coloquei meu celular na cabeceira e fui tomar um banho. Me vesti com uma calça de moletom e uma regata, antes mesmo de me jogar na cama e pegar meu celular novamente, recebendo uma mensagem de Justin onde dizia seu endereço. Fiquei fuçando nas minhas redes sociais até adormecer.

Alguns dias depois ...

Falta um dia para a tal festa e bem, não estou ansiosa. Eu não fiz nenhuma amiga de verdade ainda, tem a Violet, que é minha colega na aula de Química, mas não somos melhores amigas. Quem posso dizer que está se tornando meu melhor amigo é Peter, ele é tão querido, eu não entendo como as garotas o desprezam tanto. Ele, apesar de ser mais novo, tem pensamentos tão adultos. Até agora ele sabe de tudo que aconteceu na minha vida. Acho que é o primeiro cara que eu viro amiga sem abrir as pernas para ele antes.

Eu peguei meus materiais no meu armário e estava me dirigindo até a sala de aula, mas alguém me interrompeu. Era uma garota loira, com uma roupa bem, digamos, ousada? Ela usava uma blusa rosa com um super decote, uma calça jeans tão grudada que poderia parar a sua circulação, saltos mais finos do que um fio de cabelo e acessórios azul turquesa. Ela me olhou com desdém e saiu rebolando, ainda por cima bateu com força no meu ombro. Revirei os olhos e continuei andando. Eu realmente não quero lidar com esse tipo de gente aqui. Mal cheguei nesta escola e já tenho pessoas que me odeiam sei lá por qual motivo.

Eu estava olhando para o meu armário tentando decidir o que eu usaria amanhã, chegando a conclusão que eu não tinha nada, fui ao shopping e comprei uma jaqueta vermelha, perfeita. Quem vê pensa que eu sou fútil, mas eu não sou o tipo de pessoa que anda mal-arrumada por aí.

Quando voltei, eu apenas comi um bife, arroz e salada, logo depois subi e fiquei fazendo meu dever. Eu não encontrei Justin após aquele episódio, em que eu caí por cima dele. Fico imaginando como vai ser quando nos vermos de novo.

Eu guardei minha compra e fui para o computador, meu celular vibrou. Era uma mensagem de Peter, ele estava me convidando para ir na casa dele amanhã. Mandei uma de volta, dizendo que estava ocupada, mas que ele poderia vir na minha no dia seguinte.

No mesmo momento eu me lembrei dos livros de literatura que eu deixei no meu armário. Me puni um milhão de vezes por ter esquecido de pegá-los antes de ir embora da escola. Eu teria que buscá-los ou eu iria me ferrar na prova. Eu só não sei como. Coloquei um jeans e apenas um moletom largo por cima da minha regata, ele deixava uma parte do meu ombro aparecendo, já que o tamanho era bem maior que o meu.

Eu estava com medo, mas saí de fininho de casa e fui apressadamente até a escola, por incrível que pareça estava aberta, eu andei até meu armário e peguei meus livros. Estava tudo correndo bem, até que ouvi vozes, eu estava em pânico, não sabia o que fazer, afinal se me pegassem ali seria detenção na certa. E eu estaria muito fodida, pois não faz nem um mês que eu estou aqui. Com certeza, tudo ia desandar e o ciclo se repetiria. Eu tentei virar, mas a única coisa que eu senti foi alguém me segurando, eu ia gritar mas o som foi abafado. Eu não vi nada pois estava tudo escuro, só sei que fui arrastada para algum lugar.

Meu coração batia tão forte que parecia que ia sair pela boca, quando aquelas vozes passaram, fui soltada e na mesma hora eu virei e vi um rosto conhecido a minha frente. Era nada mais nada menos do que Justin. E ele tinha um expressão que não poderia nomear.

— Você está bem? — ele falou como se nada tivesse acontecido, o que me irritou bastante.
— S-se eu estou bem? Você quase me m-matou de susto! — eu ainda estava tremendo, se duvidar lágrimas saiam dos meus olhos. Ele abriu e fechou a boca sem reação, enquanto eu apenas tentava recuperar o oxigênio perdido. Fechei meus olhos tentando me acalmar, mas o que senti a seguir foi muito melhor, seus braços fortes me envolveram e eu pude sentir seu perfume masculino que meu Deus, uma sensação incrível passou pelo meu corpo. Eu acho que estávamos a mais de 2 minutos abraçados, eu ouvindo as batidas de seu coração e ele me abraçando como se o mundo fosse acabar ali e agora. Quando nos soltamos, eu olhei naqueles profundos olhos cor de mel, e sinceramente, me perdi.

— Eu não tive a intenção de te assustar, mas o zelador estava aqui e se ele visse você, com certeza a punição seria grave. Acredite, eu já passei por isso. — ele disse, tranquilizador. Eu assenti, ele saiu por um momento da sala e voltou logo depois com meus livros na mão. — Acho que o zelador nem viu que eles estavam no chão. Espere, você veio sozinha para escola?
— Sim, eu precisava desses livros, ou eu me ferrava na prova amanhã. — eu provavelmente estava igual a um pimentão agora. — Eu tenho que ir, antes que notem que eu saí de casa.
— Nem pensar. — arregalei os olhos levemente com sua atitude. Pensei que ele iria me sequestrar ou alguma coisa parecida. — Eu te acompanho até em casa, você não pode ir sozinha.
— Eu sei me cuidar, eu posso ir. — olhei para baixo um pouco envergonhada.
— Vamos, eu levo você até em casa.

Eu dei um sorriso de canto, e nós fomos indo até minha casa, quando chegamos na frente, eu tentei me despedir de uma forma amigável, mas quando virei novamente para ele, Justin havia sumido e eu estava no modo "loading" tentando entender o que aconteceu. Onde aquele garoto se enfiou, afinal? Resolvi entrar, até porque ninguém fica na rua a essa hora da noite.